Quem cuida de Quem?
Os velhos dilemas existenciais do tipo vida x morte, amor x ódio, capital x trabalho, sempre expuseram obviedades. Obviedades para quem se preocupa com coisas que parecem óbvias. A única forma de esconder tais obviedades é fazer uma total abstração da realidade e constituir, assim, uma forma de pensamento puramente abstrata. Parece simples, mas não é. A pandemia de covid nos trouxe o primeiro dilema: vida X morte.
Não gosto muito do pensamento binário que o positivismo cartesiano nos treinou para analisar a vida. Prefiro a dialética em espiral. Mas entre a vida e a morte não há como escapar. O capitalismo pra se afirmar precisa desumanizar as relações sociais. Logo, ao descartar a vida não se importa com a morte. O amor, não o amor erótico, o amor como sentimento utópico, tem sido o grande defensor da vida, logo o ódio fica implícito àqueles que acham a vida descartável.
A pandemia expôs a terceira dicotomia: capital X trabalho. Todos que saíram em defesa do capital durante a pandemia não tiveram nenhum temor em minimizar as mortes incluindo discursos de ódio contra pobres e velhos. Lembro do dono do madero falando "O que são 30 ou 40 mil mortes diante do colapso do capital?
A pergunta portanto que temos que responder é: quem cuida de Quem? Acrescento outra: para que serve o Estado?
Ficam as dicas.
Professor Alexandre Machado Rosa
O despreparo intelectual das elites brasileiras O atual governo federal evidencia algo que era uma preocupação das elites econômicas brasileiras na virada do século XIX para o XX: o despreparo de suas frações de classe para fazer a gestão dos negócios públicos e do Estado. Preocupados na virada do século, fazendeiros enviaram seus filhos para a Inglaterra e França para que eles aprendessem as letras e as ciências na esperança de produzirem quadros capazes de compreender e administrar a "Coisa Pública", a República. Figuras como Rui Barbosa, José Bonifácio, Anísio Teixeira, Fernando de Azevedo, Barão do Rio Branco não nascem pelo simples desejo de ser, precisam ser preparados para tal. Ouvir Paulo Guedes falar é tão doloroso que desperta um misto de vergonha e raiva. Despreparado e arrogante, mostra o analfabetismo cego alguém que conduz o Brasil para um buraco ainda maior que o atual. A verdade é que o ódio deles pela esquerda É, na verdade, inveja de saber que os melhore...
Comentários