Por uma consciência filosófica
O educador e filósofo Demerval Saviani tem entre tantas publicações uma, em especial, que é bastante significativa intitulada "Educação: do senso comum à consciência filosófica". Nela, ele descreve a tomada de consciência da realidade à medida em que o mundo sensível vai despertando a consciência do indivíduo para a realidade viva.
O Brasil sempre foi tomado, e isto não é por acaso, por uma espécie de realidade virtual. As classes dominantes brasileiras sempre tentaram desvincular a consciência social da realidade. Em tempos em que se debate a pandemia e suas consequências, eu torço para que tenhamos uma consciência filosófica sobre a realidade dura que enfrenta 2/3 da população brasileira: a pobreza, a violência e o desamparo.
Vale ressaltar que nossas elites econômicas nunca foram adeptas da inteligência. Sempre foram adeptas da aparência. A classe média reproduz este comportamento. Logo temos um dilema: essência x aparência. Nossa essência enquanto nação e de homens e mulheres bravos e otimistas. Foi essa qualidade que permitiu que 10% da população ficasse com a riqueza advinda do trabalho escravo e da exploração do povo que, sem escolha, se viu refém. Espero que a pandemia seja o detonador da consciência filosófica tão necessária para tomada da realidade como ponto de partida para a igualdade é a justiça social.
Professor Alexandre Machado Rosa
O despreparo intelectual das elites brasileiras O atual governo federal evidencia algo que era uma preocupação das elites econômicas brasileiras na virada do século XIX para o XX: o despreparo de suas frações de classe para fazer a gestão dos negócios públicos e do Estado. Preocupados na virada do século, fazendeiros enviaram seus filhos para a Inglaterra e França para que eles aprendessem as letras e as ciências na esperança de produzirem quadros capazes de compreender e administrar a "Coisa Pública", a República. Figuras como Rui Barbosa, José Bonifácio, Anísio Teixeira, Fernando de Azevedo, Barão do Rio Branco não nascem pelo simples desejo de ser, precisam ser preparados para tal. Ouvir Paulo Guedes falar é tão doloroso que desperta um misto de vergonha e raiva. Despreparado e arrogante, mostra o analfabetismo cego alguém que conduz o Brasil para um buraco ainda maior que o atual. A verdade é que o ódio deles pela esquerda É, na verdade, inveja de saber que os melhore...
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