O censo demográfico e o Brasil velado
Em 1920, o Brasil realizou um censo demográfico. O desafio era o de revelar uma fotografia que desse a dimensão do que era o Brasil. País de dimensões gigantes escondido no interior dos "sertões". Quem era a nossa gente, o que faziam, como era a nossa cultura? Empolgado, Oliveira Viana foi chamado a escrever a introdução ao censo. Na introdução, tratou logo de descrever sua visão racista do povo brasileiro. Tratou os negros como inferiores e vislumbrava a civilização europeia como ideal da "raça". Falava sobre a colonização portuguesa e dizia que se tivéssemos sido colonizados por ingleses ou franceses nossa civilização seria Melhor, como se existisse colônia melhor. Os franceses colonizaram o Haiti. Nem por isto Haiti ou Argélia são melhores.
Bolsonaro em encontro com o norte-americano Al Gore disse textualmente: "gostaria de explorar a Amazônia junto com os EUA". O que isto significa? Podemos tirar várias conclusões. Mas uma é certa: o olhar do colonizado representado por Bolsonaro voltou a assombrar o Brasil. Quando esteve nos EUA logo que assumiu a presidência, parecia uma criança na Disneylândia. Abobalhado, viu no filho que fritou hambúrgueres na terra do tio Sam qualidades para ser embaixador. Piadas a parte, o pior não é enfrentar os colonizadores, mas aqueles que se vêem como colonizados. Assim como os colaboracionistas do nazismo foram um problema na França invadida por Hitler.
Bolsonaro envergonha qualquer Oliveira Viana.
Professor Alexandre Machado Rosa
O despreparo intelectual das elites brasileiras O atual governo federal evidencia algo que era uma preocupação das elites econômicas brasileiras na virada do século XIX para o XX: o despreparo de suas frações de classe para fazer a gestão dos negócios públicos e do Estado. Preocupados na virada do século, fazendeiros enviaram seus filhos para a Inglaterra e França para que eles aprendessem as letras e as ciências na esperança de produzirem quadros capazes de compreender e administrar a "Coisa Pública", a República. Figuras como Rui Barbosa, José Bonifácio, Anísio Teixeira, Fernando de Azevedo, Barão do Rio Branco não nascem pelo simples desejo de ser, precisam ser preparados para tal. Ouvir Paulo Guedes falar é tão doloroso que desperta um misto de vergonha e raiva. Despreparado e arrogante, mostra o analfabetismo cego alguém que conduz o Brasil para um buraco ainda maior que o atual. A verdade é que o ódio deles pela esquerda É, na verdade, inveja de saber que os melhore...
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