A meritocracia e a retórica vazia
Ao propor a reforma administrativa, o governo bolsonaro tem utilizado o termo meritocracia como um bordão de forma repetida. Pois bem. A primeira pergunta é: como alguém que pretendeu nomear o filho para embaixador nos EUA tendo como principal mérito ter fritado hambúrgueres pode falar em mérito?
O que mais se percebe das manifestações acerca da meritocracia é que há uma enorme confusão entre meritocracia, regimes e sistemas de governo e corrupção. Bolsonaro nomeia uma junta militar para o ministério da saúde em plena pandemia e quer falar em mérito? Os mesmos militares nomeiam filhos e parentes. Uma prática comum no atual governo.
A deputada Carla Zambelli, apoiadora do atual governo, se assim posso chamar, teve que atender a juíza Noemi Martins de Oliveira, da 5ª Vara Cível Federal de São Paulo, assim como o comandante do Exército, general Edson Pujol, para explicar a permissão para que o filho da parlamentar fosse matriculado no Colégio Militar de Brasília sem que tivesse prestado concurso público.
O ex ministro da educação, se assim posso chamá-lo, cometeu crimes em série à frente do MEC. Deveria ter sido preso. Fugiu do Brasil é recebeu um cargo no Banco Mundial.
Qual o mérito que Ricardo Salles tem para estar à frente do ministério do meio ambiente? Paulo Guedes, que fraudou fundos de pensão públicos e ajudou a falir um banco fala em mérito como se soubesse o que é tendo um passado de fracasso profissional e incompetência.
Meritocracia pressupõe igualdade de condições. Mérito remete ao reconhecimento pelo esforço individual não a privilégios de quem massacra pretos, pobres, mulheres, índios, transexuais, homossexuais e a democracia. Chega de tanta hipocrisia retórica.
Professor Alexandre Machado Rosa
O despreparo intelectual das elites brasileiras O atual governo federal evidencia algo que era uma preocupação das elites econômicas brasileiras na virada do século XIX para o XX: o despreparo de suas frações de classe para fazer a gestão dos negócios públicos e do Estado. Preocupados na virada do século, fazendeiros enviaram seus filhos para a Inglaterra e França para que eles aprendessem as letras e as ciências na esperança de produzirem quadros capazes de compreender e administrar a "Coisa Pública", a República. Figuras como Rui Barbosa, José Bonifácio, Anísio Teixeira, Fernando de Azevedo, Barão do Rio Branco não nascem pelo simples desejo de ser, precisam ser preparados para tal. Ouvir Paulo Guedes falar é tão doloroso que desperta um misto de vergonha e raiva. Despreparado e arrogante, mostra o analfabetismo cego alguém que conduz o Brasil para um buraco ainda maior que o atual. A verdade é que o ódio deles pela esquerda É, na verdade, inveja de saber que os melhore...
Comentários